terça-feira, 21 de agosto de 2012

ATENÇÃO

SENHORES COORDENADORES DE EQUIPE, A NOSSA GINCANA TERÁ UM NOVO CALENDÁRIO PARA AS PROVAS PRESENCIAIS, CONFORME APRESENTAREMOS AMANHÃ (22/08/2012). NO ENTANTO, PARA AS DEMAIS PROVAS FICA MANTIDA A DATA (22/08), LOCAL (CENSC) E HORÁRIO (13 H) DETERMINADO NO REGULAMENTO NO QUAL VOCÊS JÁ TÊM POSSE E QUE TAMBÉM ESTÁ DISPONÍVEL NESSE BLOG.

OBS.: OS E-MAIL QUE ESTIVEREM COM PROBLEMA, FAVOR SUBSTITUI-LO E MODIFICAR NA FICHA DE INSCRIÇÃO ATÉ AMANHÃ 13H NA DIREÇÃO DO CENSC.

ABRAÇÃO,


NILVÂNIA
DIR DA U.E.

ANÁLISE DE DADOS







terça-feira, 14 de agosto de 2012

CHARGES










Biodiversidade: valores e benefícios

A humanidade passa por um momento único: o de refletir sobre o seu porvir, as atitudes e os paradigmas que envolvem a sua relação com a natureza, já que os problemas ambientais colocam em risco a sua própria existência. Dentre as questões que permeiam tais reflexões está a importância da conservação da biodiversidade do planeta.
A biodiversidade, segundo a Convenção sobre a Diversidade Biológica, elaborada na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992), é constituída pelo conjunto dos seres vivos, pelo seu material genético e pelos complexos ecológicos (ecossistemas) dos quais eles fazem parte. Em outras palavras, o conceito de biodiversidade está relacionado com a diversidade de vida existente no mundo.
Espécies ameaçadas
Alguns pesquisadores estimam que o número total de espécies vivas do planeta varie entre sete e 20 milhões, sendo que muito pouco destas (menos de 30%) são conhecidas pela ciência, principalmente inver tebrados e micro-organismos. O Brasil abriga entre 15 e 20% deste número, sendo o país com a maior diversidade biológica. Entretanto, além de pouco estudada, a nossa biodiversidade se encontra cada vez mais degradada. Muitas espécies brasileiras estão sob risco de extinção e, com certeza, muitas outras já foram extintas sem sequer se saber de sua existência.
Fatores como desmatamentos, queimadas, destruição de habitats, fragmentação de florestas, assoreamento de rios e lagos, aterramento de banhados, uso indevido de áreas de conservação, exploração demasiada da fauna e da flora, poluição de ambientes naturais, entre muitos outros, são os responsáveis pela redução da biodiversidade do nosso país. Levando-se em conta a riqueza de espécies que o Brasil possui, reflexo de ambientes naturalmente diversos, como a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica, essas perdas representam um verdadeiro crime contra a vida do nosso planeta. Crime esse que põe em risco o equilíbrio e a existência da vida como um todo, inclusive a de todos nós, seres humanos.
Teia da vida
A espécie humana não está separada das outras. Está intimamente relacionada ao restante da teia da vida. Estamos ligados a todo o mundo de coisas animadas e inanimadas. Preservá-las é garantir a nossa sobrevivência.
A conservação das diversas formas de vida melhora a nossa de alguma maneira não material. Por exemplo: quando nos deliciamos com a visão de um beijaflor, ou quando a caminhada na floresta fica mais bonita com a visão de uma orquídea. Ou quando sentamos embaixo da sombra de uma árvore... O contato com a terra, com a mata, com uma cachoeira, enfim, com a natureza, nos traz inúmeros benefícios para a saúde física, psíquica e emocional. Por outro lado, todas as formas de vida têm valor por elas mesmas e esse valor não depende de nenhum uso que se faça delas.
Uma das maiores contribuições da diversidade de vida é a possibilidade de beneficiar a humanidade para adaptar-se frente à variação do ambiente ao longo do tempo. Os seres vivos, em geral, podem ser vistos como depósitos de genes que, a qualquer momento, poderão ser utilizados por quaisquer outros seres para futuras adaptações a mudanças ambientais.
Além disso, a humanidade recebe enormes benefícios econômicos diretos a partir da biodiversidade na forma de alimentos, remédios e matéria-prima para produtos industrializados. Os serviços providos pelos ecossistemas, indispensáveis, direta ou indiretamente, para a sobrevivência humana - como a regulação do clima, o suprimento e a regulação de água e nutrientes etc. - estão avaliados, por alguns estudos, entre 16 e 54 trilhões de dólares por ano.
Para muitos, definições técnicas e cálculos econômicos podem ser eclipsados por fundamentos ainda mais essenciais. A biodiversidade guarda relação estreita com a diversidade cultural: as culturas humanas são moldadas em parte pelo entorno vital, sobre o qual, por sua vez, elas influenciam. E essa conexão tem ajudado a determinar os valores culturais dos diferentes povos.
Talvez as problemáticas ambientais, que hoje enfrentamos, representem uma opor tunidade de elaborarmos nossa identidade e de reescrever a nossa própria história, como seres humanos, como seres da natureza, participantes dos seus processos e responsáveis pelo seu equilíbrio. Para tanto, é fundamental a conscientização da importância da biodiversidade ara a continuidade da vida no planeta.
Eduardo Cardoso Teixeirabiólogo, mestre em Biologia Animal, professor pesquisador do Grupo de Pesquisas em Ecologia e Conservação da Vida Silvestre. Taquara, RS

Rio+20, um jogo de interesses?

entrevista com Lúcia Ortiz, publicada na edição nº 427, junho de 2012.

Lúcia Ortiz
 
Segundo Lúcia Ortiz, de Florianópolis, SC, representante da Federação Internacional Amigos da Terra, os objetivos da conferência foram invertidos em favor da economia e contrariam a defesa do meio ambiente.
Em que contexto surge a Rio+20?
A Rio+20 surge como uma proposta, inclusive feita pelo ex-presidente Lula à ONU, sugerindo um evento que avaliasse 20 anos de implementação dos acordos firmados na Rio 92, que eram acordos sobre desenvolvimento sustentável. Então o objetivo inicial seria de avaliação dessas lacunas: por que se fizeram tantos acordos internacionais e se continua deteriorando a qualidade de vida, o clima, a biodiversidade? O que acontece é que esse objetivo foi colocado de lado, uma vez que, sem uma análise profunda, estabeleceu-se que os acordos feitos entre os Estados para cuidar do meio ambiente eram falhos. E então a conferência coloca na frente do objetivo principal a chamada economia verde, que diz que os Estados são falhos para cuidar do meio ambiente. Sobra o mercado para dar conta da gestão ambiental e da qualidade de vida das pessoas. E estabelece uma agenda de implementação e consolidação dessa economia verde.

E o que seria essa economia verde?
A economia verde não é nova no sentido de modelo, porque é a própria economia capitalista que explora não só as pessoas, os trabalhadores, mas explora a natureza. Agora, com novos instrumentos de contabilidade da natureza, se diz que só cuidaremos se dermos valor monetário. Ou seja, ao invés de tentarmos aproximar cada vez mais o ser humano da natureza, ter o entendimento de que o ser humano é parte da natureza e que a natureza não é um objeto a ser explorado, ela, ao contabilizar a natureza, separa ainda mais a relação do ser humano com a natureza. Então estamos vendo para a Rio+20 toda a imposição de uma agenda ideológica para gerar mais acumulação, mais lucro na mão de poucos, às custas da privatização, da mercantilização e da financeirização da natureza.

Mas o sistema capitalista não está em crise?
Vimos que a crise financeira de 2008 foi criada a partir dos títulos de hipotecas das casas das pessoas, principalmente nos Estados Unidos. Então o Pat Money, o grupo ETC usou uma metáfora muito interessante: era como se aquelas mesmas instituições financeiras que destruíram ou fizeram as pessoas perderem suas casas agora fossem convidadas para brincar no jardim, para fazer com o jardim o mesmo que elas fizeram com as casas. Ou seja, de onde se planta, onde tem água, onde tem biodiversidade, de onde as pessoas tiram o seu sustento, e não apenas os bens comuns, mas também o que criamos em nossas relações sociais, e nas relações da humanidade com a natureza, que são as formas de viver, e que não são baseadas no lucro e na acumulação. Nem todas as pessoas no mundo e na história viveram sempre acumulando infinitamente como se o planeta fosse infinito. O capitalismo está em crise. Temos que mudar esse paradigma. Temos que ver outras formas de viver, e não tentar trazer para o mercado tudo aquilo que é verde, tudo aquilo que é construção social. As pessoas não têm que entrar no mercado para serem felizes. Temos que valorizar as formas de vida em sociedade baseadas em outros valores que não advêm do lucro. E, visibilizando essas experiências, essas alternativas, mostrar que é possível mudar esse sistema que está causando os problemas e as crises ambientais que nós estamos vivendo hoje.

Quem propõe a economia verde?
As propostas da economia verde estão implícitas em várias discussões oficiais. Ela foi adotada como agenda da Conferência Rio+20 por conta de um documento de uma agência das Nações Unidas que trata do tema do meio ambiente. Mas, antes disso, se formos ver toda a visibilidade que teve a Convenção do Clima, em Copenhague, observa-se que ela já começou a deteriorar os princípios acordados em 1992 e avançar cada vez mais em mecanismos de mercado para tentar solucionar o problema. Além disso, a Conferência da Biodiversidade, também firmada em 1992, comemorou um avanço em 2010, porque se chegou a um acordo. Mas um acordo que só foi estabelecido quando os países em desenvolvimento concordaram em mercantilizar os componentes da biodiversidade. É a denominada Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, que é essa contabilização, seja dos componentes da biodiversidade, seja dos serviços ambientais. E isso está provocando uma série de alterações nas leis em vários países. E o Brasil está sendo protagonista desse ajuste neoliberal das leis do país. As leis do meio ambiente, hoje, não servem para assegurar os direitos da Constituição a um meio ambiente equilibrado. Não está escrito que o Estado deve assegurar isso aos cidadãos. Estão mudando leis, tirando do Estado o papel de regulador da biodiversidade, da água, da polinização, do mercado de carbono etc. O mercado, então, passa a ter este papel de regulador da gestão ambiental. Já vimos isso acontecer com a privatização da água, dos serviços públicos, da educação, da saúde, da eletricidade.

E como a sociedade e os movimentos sociais reagem a isso?
Os movimentos que lutaram contra um livre comércio, contra a Alca na América Latina, foram vitoriosos ao se contraporem a esse modelo, porque conseguiram bloquear, em certa medida, o avanço dessa privatização e dessa mercantilização da vida. Hoje, há um desafio: de os movimentos se unirem contra essa proposta da economia verde e dar um basta ao capitalismo, qualquer que seja sua cor, porque já são 99% afetados por esse modelo de desenvolvimento. São pessoas que estão não só descontentes, mas também preocupadas com o futuro, com a incerteza sobre para onde isso vai nos levar. Vamos degradar todas as nossas fontes de vida e com essa escassez gerar um alto preço pelas mercadorias, para no final ver que dinheiro não se come? Então esse é o tamanho da batalha que estamos vivendo hoje. Quando se fala em Rio+20 parece uma conferência de meio ambiente, mas na verdade o que está em jogo é uma reinvenção, uma reformulação do sistema econômico nas mesmas bases de acumulação do lucro capitalista, da concentração nas mãos de transnacionais, usando para isso a mercantilização da vida. É transformar em moeda tudo aquilo que não estava ainda ao alcance dessas corporações financeiras.

A Eco 92 proporcionou avanços. Por que esses avanços não continuam?
O que se teve de avanços a partir de 1992 foi o reconhecimento de alguns princípios. Um é o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, que foi ratificado na Convenção do Clima. Ele diz que, historicamente, há países responsáveis pelo problema, e que têm que tomar as medidas necessárias mais urgentes para conter e/ou resolver o problema, sem transferir essa carga histórica de responsabilidade para os países do Sul. Mas aí se criaram esses mercados de carbono. Os países apontados não estão tomando essas medidas: estão querendo se beneficiar do mercado de carbono, que é justamente uma forma de transferir a responsabilidade para os povos mais vulneráveis. Para resolver o problema, apresentam falsas soluções que, na realidade, não resolvem nada, não mudam o sistema, não reduzem os padrões de produção e consumo, tão degradantes à natureza e com seus benefícios tão concentrados nas mãos de poucos. Existem, portanto, causas estruturais de por que os avanços não seguiram e está se perdendo espaço no que diz respeito às conquistas acordadas na época. Se diz que o Estado não tem nenhum papel; que o mercado é que vai resolver a questão. Mas teria que ser o contrário. Deveríamos retomar a relação do Estado com o povo que o elege, porque é o povo que elege o seu governo, e não continuar com essa política de priorização às corporações que financiam as campanhas, que é o que vem acontecendo.

Na metodologia da Rio+20, quais seriam os espaços para que a sociedade possa interferir e reverter esse processo?
Está sendo feito um trabalho para que toda a população, através das mídias livres, das televisões, do jornalismo mundial, possa tornar visível o recado das populações que já estão sendo diretamente atingidas, seja pelo avanço da energia nuclear, pela construção de grandes barragens, pela mineração, pela poluição ou pelo avanço das falsas soluções. Queremos que vejam e reflitam a respeito de como vivem as pessoas que têm o seu território totalmente mercantilizado e até mesmo militarizado para cuidar da biodiversidade, porque ela vale algum título numa bolsa de valores que pertence a alguma elite financeira. O que isso representa? Mostrar isso durante a Rio+20 para a população em geral e apontar alternativas, formas de organização de vida comunitária, de viver com outros valores que não o do lucro, que não esses da economia verde, é tentar mostrar soluções para os povos. Certamente haverá um espaço durante a Cúpula dos Povos, que é um evento paralelo à Rio+20, para que também se dê visibilidade a isso.

Não somos escravos do consumo

Se conseguimos alguma coisa nestes últimos 20 anos, foi uma maior consciência, porque quem é afetado por esse modelo de desenvolvimento, quem não está feliz com isso é a maioria das pessoas. As pessoas estão angustiadas. E esse sentimento gera indignação do povo com relação aos governos que não atendem aos seus apelos. Como é que as corporações mandam na vida das pessoas? As pessoas não querem ser escravas da propaganda veiculada na televisão, trabalhar para consumir e resumir o sentido da vida nisso.
Por mais que a propaganda incentive e diga que todos querem ser consumidores, e divulga isso como o grande sonho de felicidade da humanidade, vemos que na verdade a vida das pessoas está a serviço de um modelo de crescimento econômico infinito, e isso tem que acabar. E a juventude certamente se solidariza com isso, porque não consegue ver muitas perspectivas para o seu futuro. Isso faz com que a juventude se integre, troque ideias, retome a criatividade. Se o governo não tem ou não usa a criatividade para resolver o problema, vamos mostrar que ela existe, está nas pessoas. E é hora de trocar isso em praças públicas, em movimentos de ocupação, sentar para discutir e mostrar isso em ações concretas.
Existe a ação da discussão dos espaços e também ações diretas que têm sido feitas pelos movimentos, seja através da rte, da cultura ou ações direcionadas a um alvo específico. Por exemplo, no Rio de Janeiro, existe uma bolsa verde, como uma bolsa de valores, que disse que vai vender água, a polinização das abelhas, a biodiversidade. Como é que as pessoas vão ficar caladas a respeito disso?

Súplica da Natureza

Não faças isso comigo não, criatura, eu sou a tua mãe.
Sou tão boa para tu e para teus irmãos todos.
Faça não. Sofro. Sofro muito.
Tu fazes isso e eu vou me entristecendo,
murchando e a cada momento perdendo vigor, energia, morrendo.
Cada dia que passa tu vais fazendo assim:
maltrata hoje, maltrata amanhã, todo dia, toda hora,
sem parar um segundo, sequer.
E olha que eu não te nego nada.
Tudo que tens, eu te dei.
Tudo que queres, eu te dou.
Dou para você e meus outros filhos todos.
Até os que nada pedem, não choram, nada dizem,
sequer pensam, pois juízo não têm.
Eu quero continuar a servir a vida inteira, o tempo todo.
Dia e noite, sem nunca parar.
"Papai" me criou ensinando a cuidar de vocês todos,
preocupado no aperfeiçoamento, na glória, no bem.
Até "os outros", os que vivem matando para viver,
"respeitam" o que "Papai" ensinou.
Só comem o tanto certo, sem acabar com a espécie da qual é "irmão".
Aliás, um serve ao outro, constituindo uma família grande,
bonita, harmoniosa, unida, repleta de tudo que é bom.
Vamos permanecer coesos, pensando um no outro.
Não é preciso pensar em mim, não.
Eu dou o meu jeito.
"Papai" me dá forças.
Pense em teus irmãos.
Pense nos meus netos, nos teus filhos.
Tu já pensastes se Adão e Eva não tivessem existido?
Então, como você quer acabar comigo?
Só eu tenho tudo que tu queres e nada te cobro, nada te peço.
Só quero paz, respeito, sensibilidade.
Até a inteligência que tu tens e por meio dela me agrides, eu te dei.
A força, a cor, a beleza, a saúde, o pão do sustento,
a luz, a energia, o oxigênio de tocar o pulmão.
A água de beber, coisa tão gostosa, tão boa.
Eu te faço dormir, te faço até sonhar um sonho lindo,
em lugar gostoso, de paisagens lindas, com amor.
Até amar eu te ensinei.
Eu te ensinei como fazer o teu próprio filho, a continuação de cada um.
Até filho meu que não é irmão seu, te serve tanto.
Te ajuda. Sou eu que mando ele te servir.
E você, o que me dizes, o que falas?
Diga em que errei, onde errei.
Eu te eduquei com amor, respeito e ordem.
Te dei do vigor da força ao repouso eterno do cansaço que a vida traz.
Eu sou a única mãe que gera, pari, cria e depois recolhe ao ventre.
A minha placenta é eterna e o meu leite nunca seca.
Meu prazo de procriação está nas suas mãos, filho querido.
Eu quero continuar parindo, criando, frutificando, te dando irmãos.
Fecunda para tudo, para todos e para o bem.
Eu quero ver crianças a sorrir.
Gilberto BritoParamirim - BA